sábado, 7 de dezembro de 2013

A História do Mundo, segundo o Livro de Ferro
‘’ Há muitas eras, o mundo não era nada além de uma esfera de barro e pedra vazia, orbitando no vasto e frio nada. Não havia luz, água ou vento. Não havia vida. Mas um dia Pembuahan Saka Donya, a Fecundadora de Mundos, a ave de fogo de mil cabeças e dez mil asas e tamanho de um sol, voando através da imensidão do Vazio, pousou no nosso mundo. Aqui, como fez em vários outros mundos estéreis, pôs um ovo, E depois foi embora, para sempre. Este ovo, formado de pura energia cósmica, chocou durante eras, e um dia, eclodiu.
Dele saíram os deuses, seres de poder monumental, capazes de dobrar a realidade à sua vontade. Rapidamente dividiram as tarefas necessárias à sua missão entre si, e começaram a criaram o mundo.
Luxxor, o iluminado, a montanha de nuvens e luz, assoprou, e assim a superfície do mundo se encheu de ar, as nuvens e a chuva foram criadas, e por fim ele ascendeu aos céus, se tornando a Esfera de Luz.
Thálassa, O Implacável, o gigante de gelo, evaporou e caiu sobre a superfície áspera e dura do mundo, na forma de água, enchendo suas depressões, e criando os mares e rios, e todas as criaturas que vivem na água.
Tyrandathus, O Forte, o gigante de mil braços e pele de pedra, repuxou a superfície do mundo com sua imensa força, criou as montanhas, criou imensas depressões, tornou o relevo do mundo irregular, e cunhou a primeira parte da criação, à sua semelhança:  monstros, nos mais variados tamanhos e formas.
Myka, A Generosa, a árvore andante que alcançava as nuvens com sua frondosa copa, achou aquele mundo muito selvagem e brutal, e criou os animais, alguns fracos e inofensivos, outros fortes e audaciosos, e criou as florestas, onde a vida abundava em todas as suas formas.
Yasaena, a Culta, achou o mundo àquele ponto ainda selvagem, sem o dom da inteligência, e tocou sua harpa, criando assim os elfos. Seres cuja graça, beleza e cultura eram tão vastos que se equiparavam somente aos deuses. Criaturas imortais. Capazes de manipular com facilidade as forças arcanas do mundo.
Saggatio, o Sábio Hedonista, achou a criação de Yasaena sem graça, e tomou par si a tarefa de criar algo mais desafiante e divertido: criou os anões, seres taciturnos e atarracados, dotados de um rígido código de honra, e Halflings, pequenos e curiosos como raposas.
Por fim Coronellis, O Grande, tomou para si a tarefa de finalizar aquele mundo. Criou o céu, vasto e azul, sobre a cabeça de tudo que existia, dando a sensação de justiça e ordem a todos aqueles que vivem. E por fim ele batizou aquele mundo. Chamou-o de Karum.
E logo as crias dos deuses prosperavam, descobriam, cresciam. Descobriram o fogo, a agricultura, a metalurgia, a civilização e as leis.
E por um tempo, foi bom.
Até que eles chegaram, humanos.
Eram os Kandosh, vindos das profundezas do Vazio acima do céu, de lugares que até os deuses desconheciam, com suas imensas máquinas voadoras, propulsionadas por fogo e fuligem, criados por sua ciência. Eles chegaram à Karum e logo começaram a sua colonização. Exterminaram as crias de Tyrandathus e Myka em toda a parte norte do mundo, e lá fundaram seu reino: ergueram torres e muralhas de aço e pedra que alcançam as nuvens, criaram monumentais máquinas que criavam outras máquinas, alimentadas por imensas chaminés que cobriam os céus com sua imundice. Rasgaram montanhas em busca de aço e carvão, e mataram, mataram muito.
Era um povo ruim, não cultuavam deuses, só a si próprios, suas invenções, avanços e conquistas. Não usavam magia, em vez disso criavam tecnologias com base em sua ciência, movidos por óleo, fumaça ou carvão. Matavam as criaturas dos deuses tanto quanto matavam a si próprios, por ganancia e ódio. Eles não conheciam limites morais ou éticos. Forjavam criaturas de aço e fuligem, escravos mecânicos que lutavam em suas guerras e edificavam suas monumentais construções. Faziam experiências terríveis com os espécimes descobertos no novo mundo em busca de novas doenças e monstros que pudessem usar em suas guerras, escravizavam e torturavam pelo simples desejo de humilhar.
Os Kandosh logo se espalharam por outras partes do mundo, sempre em busca de novos recursos para suas industrias, que logo escasseavam. Em seu expansionismo, descobriram as raças de anões, halflings e elfos. Sua fé e seus deuses, e odiaram aquilo. E mataram, mataram, mataram.
Os anões, elfos e halflings, Os Três Povos, viram seu mundo ser conspurcado pela raça invasora, suas cidades serem incineradas e seu povo ser escravizado ou apenas exterminado, e reagiram. Criaram a Coalização, a união militar das três raças ancestrais na tentativa de pôr um fim àquilo. Criaram um exército de centenas de milhares, dentre os quais os maiores guerreiros e magos, os mais habilidosos arqueiros e ladinos, os mais altivos clérigos e cavaleiros, os mais poderosos monstros e criaturas mágicas, e marcharam rumo ao Reino das Máquinas. Os Kandosh riram daquilo.
Mandaram seus construtos voadores despejarem fogo e ácido em suas vítimas. Acionaram canhões de gás e pólvora que matavam aos milhares. Seus autômatos do tamanho de castelos esmagavam e socavam sem piedade. Em uma hora, a Coalizão estava obliterada. Os Três Povos logo perceberam o horror que encaravam: aquela raça não podia ser parada, seu poder era grande demais, seu ímpeto destrutivo era forte demais. Eles destruiriam tudo.
Então os povos de Karum rezaram, as árvores e animais suplicaram, os monstros imploraram. Toda a vida de Karum pediu aos seus deuses que fossem salvos, que aquele povo cruel fosse aniquilado, que a vida fosse livre novamente.
E os deuses, vendo seus filhos chorarem, atenderam seus pedidos.
Os deuses, usando seu incrível poder, criaram os Lordes Dragões, seres de poder imenso, comparável apenas aos eles próprios. Sete deles foram criados, reluzindo em suas cores cromáticas. Menglong, o dragão amarelo do poder. Yarostdrakon, o dragão vermelho da fúria. Thanadusdrak, o dragão negro da morte. Kisajijoka, o dragão verde da vingança. Smakstrah, o dragão azul do medo. Lohikaarme, o dragão branco do fim. Smoksprawdelivosth, o dragão prateado da justiça.
Os dragões caíram sobre as titânicas muralhas Kandosh com a fúria de todos os povos de Karum, e as rasgaram como papel. Avançaram e trucidaram sem misericórdia. Os Kandosh lutaram, Ou ao menos tentaram. Usaram seus séculos de experiência em matança e destruição. Mandaram seus exércitos de seres mecânicos contra os dragões divinos, esvaziaram seus canhões de chamas e venenos em suas cabeças, detonaram cogumelos de luz e fogo sob suas silhuetas draconianas.
Nada disso adiantou, os dragões só pareciam ficar mais raivosos e poderosos à medida em que eram atacados. Os dragões eram pura energia divina, se recuperavam em questão de segundos de ferimentos causados por ataques que liquidavam cidades completamente. Seus rugidos estraçalhavam muralhas de quilômetros de espessura, suas caudas em chicote partiam ao meio torres que chegavam aos céus, suas baforadas de fogo elemental derretiam cidades inteiras.  
Após sete dias de combate inútil, que só servia para destruir ainda mais suas próprias cidades, os maiores generais do Império Máquina desenvolveram sua estratégia mais desesperada: usariam uma nova arma, cujo poder ainda não era totalmente conhecido, uma bomba capaz de destruir a própria existência, criando um buraco na realidade. Os Kandosh não podiam morrer sabendo que foram superados pelos odiados deuses, era melhor morrer levando o inimigo junto. Armaram a bomba em um mecanóide de combate aéreo pilotado por seu maior piloto, e este se jogou contra Smoksprawdelivosth, o líder dos lordes dragões, e ativou a bomba.
O mundo inteiro tremeu com a explosão.
A detonação incinerou os odiados dragões. Os Kandosh venceram, mataram seus inimigos, demonstraram a superioridade de sua tecnologia frente aos deuses, mas a um preço altíssimo: a explosão também os destruiu, transformou que que sobrara de suas cidades em ruina completa. Os Kandosh estavam extintos.
Pior: a violência da explosão abriu um rasgo na realidade, um buraco negro, para outro lugar, um portal para outro lugar.”


Primeira Parte do Livro de Ferro, o livro da Criação.

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